Meneghel volta ao banco dos réus amanhã

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Quase um ano após o primeiro júri – que foi anulado depois que a defesa abandonou o tribunal – o ruralista cascavelense Alessandro Meneghel volta ao banco dos réus em Curitiba. Ele é acusado de matar o Policial Federal, Alessandro Drummond Barbosa, em abril de 2012, em frente a uma casa noturna na Rua Paraná, em Cascavel. O policial na época tinha 36 anos.

A defesa do ruralista tentou nos últimos dias, mais uma vez mudar a data do júri. A defesa questionou um dos materiais usados pela defesa dizendo que tem “formulas matemáticas ou físicas” que exigiriam pelo menos 15 dias úteis para análise. Um perito particular, inclusive, foi contrato pelo acusado. O material polêmico é a análise das imagens do momento do crime.

O juiz Thiago Flôres Carvalho afirmou hoje (20), no entanto, que o material é semelhante a outro que já estava juntado no processo, que não tem qualquer complexidade e que não há espaço para reagendamento.

“De qualquer maneira, se necessária fosse análise tão aprofundada, certo é que a utilização em plenário, antes de causar prejuízo à defesa, ser-lhe-ia inegável benefício, pois os jurados, leigos que são, não o entenderiam e, em consequência, não dariam credibilidade para a postulação respectiva”, ironizou.
O julgamento, portanto, está mantido e a cobertura completa você poderá acompanhar pela CGN.

O júri deve durar dois dias e tem previsão de ouvir 13 testemunhas, sendo 7 de acusação e 6 de defesa, uma delas será ouvida de Cascavel, por videoconferência. Amanhã pela manhã serão sorteados os sete jurados que definirão se Meneghel é culpado ou inocente.

Meneghel foi preso na madrugada do crime e durante estes quase cinco anos Meneghel ficou quase quatro anos na prisão, depois foi liberado para prisão domiciliar alegando problemas de saúde da mãe.

Ele confessa o crime, mas afirma que agiu em legítima defesa. Durante o processo foram várias situações que adiaram o término do júri. No final de março do ano passado, por dois dias, todas as testemunhas foram ouvidas, mas quando o julgamento se encaminhava para o final o advogado do réu, Cláudio Dalledone Junior, deixou o tribunal. Depois disso ele conseguiu um novo adiamento tentando que a justiça autorizasse nova troca da cidade do júri.

“O réu está preso, porém, em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A defesa tentou, nocivamente, adiar o júri, mas na última sexta-feira feira o tribunal de justiça indeferiu o pedido da defesa”, afirma o promotor Lucas Cavini.
Ele lembra que o cancelamento do primeiro júri gerou despesas ao Estado.

“O custo é enorme para o estado, com intimações, hotel de jurados, refeição, hora-extra de servidores, de policiais militares para a escolta, sem contar o custo para a família e amigos da vítima que moram fora de Curitiba”.
A acusação afirma que apresentará as mesmas provas apresentadas da primeira vez pois acredita que “elas confirmam que o policial federal foi friamente assassinado e que foi o Alessandro Meneghel que deu início aos disparos, atocaiando a vítima, enquanto ela saía tranquilamente da casa noturna”.

“Esperamos, então, que o júri aconteça normalmente e, desta vez, termine”, pontua Lucas.
Defesa

Da defesa de Meneghel rebate e promete que irá abalar as certezas da acusação. Para a defesa provas periciais e depoimentos de testemunhas tendem a provar que o pecuarista agiu em legítima defesa no tiroteio que culminou com a morte do policial federal.

A assessoria de Dalledone encaminhou o vídeo do dia do crime e entende que ele mostra que houve um confronto.

“É nítido que existia ali uma situação de confronto, gerada por um desentendimento dentro da boate, momentos antes. Porém o que temos que observar aqui, diante de todas as provas existentes, é que o Meneghel matou para não morrer. Ele disparou sua arma, após ter tido seu carro alvejado por mais de dez tiros de pistola 9mm. As balas atingiram a lataria, o para-brisa o para-choque. Do chão, em posição típica de confronto, o policial Alexandre crivou o carro de Meneghel de balas. Para não morrer, Meneghel matou”, diz a defesa.
As mesmas imagens são lidas pela promotoria de maneira diversa.

“Todos os vídeos existentes nos autos mostram que o acusado mata Alexandre de forma fria e repugnante”, disse Lucas.
Policiais

A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) se juntará ao Sinpef/PR (Sindicato dos Policiais Federais no Paraná) com representantes durante o julgamento.  O presidente da Fenapef, Luís Antônio Boudens, acompanhará a audiência juntamente com uma caravana de familiares e de policiais federais de Cascavel.

Fonte: CGN

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