Ex-governador, Beto Richa é preso em Curitiba pela Polícia Federal

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) foi preso em uma operação da Polícia Federal na manhã de sexta-feira (25), no apartamento em que mora na Capital do Paraná, Curitiba. Os agentes cumpriram o mandado de prisão preventiva contra Richa.

A ação foi movida pelo MPF (Ministério Público Federal) por meio da Operação Integração, uma fase da Lava Jato que investigou a concessão de rodovias no Paraná. A ação de hoje faz parte da 58ª fase da Operação, onde o contador da ex-primeira dama, Dirceu Pupo Ferreira, também foi preso.

De acordo com as investigações, o ex-governador Beto Richa foi beneficiário de pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie pelas concessionárias de pedágio do Paraná e por outras empresas que mantinham interesses no governo.

Há evidências de que parte do dinheiro (R$ 142 mil) foi lavada mediante depósitos feitos diretamente em favor da empresa Ocaporã Administradora de Bens, que, embora estivesse formalmente em nome de Fernanda Richa, esposa do ex-governador, e de seus filhos, na realidade era controlada por Beto Richa.

O restante dos recursos, aproximadamente R$ 2,6 milhões, foi lavado pelo ex-governador com o auxílio de Dirceu Pupo Ferreira, por meio da aquisição de imóveis.

De acordo com o MPF, a prisão ocorreu porque houve tentativa de obstrução das investigações pelos envolvidos. A apuração demonstrou que, em agosto de 2018, a fim de impedir que o esquema fosse descoberto, Dirceu Pupo Ferreira, agindo a mando de Beto Richa, procurou um dos corretores de imóveis que intermediou a negociação das salas comerciais e solicitou que, caso fosse intimado a depor pela investigação, ocultasse a existência de pagamentos em espécie por fora.

“Não satisfeito, de acordo com o relato do vendedor das salas comerciais, Ferreira, sempre agindo como preposto do ex-governador, ainda tentou contato para influenciar seu depoimento, a fim de solicitar que o pagamento em espécie fosse ocultado”, diz MPF.

De acordo com o juiz federal Paulo Sergio Ribeiro, “o fato concreto apresentado pelo MPF é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva”.

O ato foi praticado para impedir a descoberta do esquema de lavagem de dinheiro, interferindo na produção da prova. “A influência no depoimento de possíveis testemunhas é fundamento clássico para a prisão preventiva para garantia da instrução criminal”, afirma o procurador da República Diogo Castor.

PRISÃO ANTERIOR

O ex-governador do Paraná, foi preso pela primeira vez em 11 de setembro de 2018 durante a campanha eleitoral ao qual disputava uma das vagas do Senado Federal.

Quem o prendeu em setembro foi o Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado). Na época, também foram presos a esposa de Beto Richa, Fernanda Richa, o ex-secretário da Casa Civil Deonilson Roldo, o irmão de Beto, Pepe Richa, o ex-secretário especial de Cerimonial e amigo de Richa, Ezequias Moreira e o ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Edson Casagrande.

O motivo da prisão é a investigação que apura o direcionamento de licitação que beneficiou empresários e propina a agentes públicos, bem como lavagem de dinheiro no Programa Patrulha Rural desenvolvido no governo de Beto Richa entre os anos de 2012 e 2014.

Quatro dias após a primeira prisão, em 15 de setembro, o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes determinou a soltura do ex-governador.

Redação Catve.com

 

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